terça-feira, 26 de março de 2013

Pré-candidatos já pensam nas eleições de 2014






A campanha ao governo do estado em 2014, apesar dos discursos ensaiados que este ano ainda é tempo de pensar em trabalho, não há dúvida, já começou. Embora não oficialmente, mas nas articulações e nas movimentações para a exposição de possíveis propostas para o estado, os pré-candidatos não têm medido esforços para chegar à época da campanha com nome consolidado para disputar a cadeira hoje ocupada pela governadora Roseana Sarney (PMDB). Se a legislação não permite ainda a campanha oficial, os pré-candidatos se movimentam para construir o plano de governo e aproveitam para propagar seus nomes.

Os principais pré-candidatos que já demonstraram o interesse em entrar na disputa até agora são do secretário de Infraestrutura Luís Fernando Silva (PMDB) e do ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB) pelo grupo aliado ao governo. Pela oposição os principais nomes são do presidente da Embratur, Flávio Dino (PCdoB), da deputada Eliziane Gama (PPS) e do ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PDT), estes dois últimos se intitulam serem membros de "via alternativa".

Lobão, que tem um dos nomes mais conhecidos da lista não faz muita questão de grandes esforços para se viabilizar. Ele mesmo declarou durante o encontro do PMDB na última sexta-feira (22), que não precisava peregrinar pelo interior, já que seu nome já era bem conhecido, e que ele mesmo permitiu que Luís Fernando se viabilizasse. Embora mantenha a pré-candidatura, Lobão nega crise dentro do grupo palaciano. "Tenho legitimidade para pleitear esse cargo, se desejar. Está em mim decidir se quero, ou não, ser candidato. Mas ninguém suponha que eu estou rompido com a Roseana, com o Luís Fernando, ou com o governo", afirmou durante o encontro peemedebista.

Em 2010, Lobão foi eleito senador com mais votos até do que a governadora Roseana Sarney (PMDB). O hoje ministro teve 1.702.085 votos. Para o governo, Roseana teve 1.459.792 votos. Seu nome é sempre o melhor colocado entre os indicados do grupo Sarney para concorrer ao governo do Estado.

Já o secretário de Infraestrutura, Luís Fernando Silva, resolveu colocar o time em campo e tem parado pouco na capital maranhense. O pré-candidato tem mantido uma rotina de inaugurações e assinaturas de ordens de serviço para obras em vários municípios. Apesar de negar a pré-campanha, a movimentação tem aproximado Luís Fernando dos prefeitos e lideranças locais. De quebra, tem ganhado grande exposição na mídia estadual e nos veículos das cidades onde passa.

Luís Fernando não nega que é pré-candidato, mas diz que no momento, mantém toda a sua concentração no trabalho da secretaria de Infraestrutura, avaliando que um bom trabalho do governo do estado, se reflete na eleição do sucessor da governadora. "Todas as visitas aos municípios fora institucionais, sem teor político. Estamos inaugurando obras, visitando as obras em andamento, verificando os pleitos dos municípios na área da Infraestrutura. O governo tem que trabalhar. Neste momento não pensamos em eleição, mas em trabalho", afirmou.

O secretário de Infraestrutura tem como cartão de visita sua administração á frente da prefeitura de São José de Ribamar, com bons índices de avaliação. Como ele gosta de se definir, é um municipalista, portanto, tenta convencer os prefeitos da valorização das prefeituras caso seja o próximo governador do Maranhão.

Na "pré" corrida eleitoral, Luís Fernando esteve no final de semana passado assinando a ordem de serviço para construção da estrada que dá acesso ao município de Cajari, cortando o território do município de Viana, na Baixada Maranhense. Neste final de semana, esteve no segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, Imperatriz. Na segunda-feira, estará participando do aniversário do município de Afonso Cunha, onde também irá assinar ordens de serviço para a cidade.

Oposição - O principal candidato da oposição, Flávio Dino é pré-candidato desde o final da eleição de 2010. Há uma semana ele iniciou o movimento "Diálogos pelo Maranhão", e percorre as cidades do interior do Estado com seu grupo político. Flávio diz que no projeto de mudança de seu grupo político quer construir uma política em dialogo com a sociedade. "Queremos construir um programa de mudanças para o Maranhão. O que estamos propondo é a superação da imensa injustiça social do nosso estado, fazendo com que as riquezas que são de todos sirvam a todos, e não a poucos. E essas mudanças começam pelo jeito de fazer política. Vamos buscar na sociedade do Maranhão o conhecimento dos problemas reais, e debater as soluções para construir um futuro melhor. Em síntese, queremos uma politica moderna, ampla e justa". O comunista alega que algumas pessoas ainda tem o modelo antigo de fazer política, sem ouvir a população e ele defende um modelo somando as contribuições de todos.

Flávio discorda de que exista uma antecedência da campanha, mas uma construção de propostas, alegando que os partidos devem permanecer em atividade constante. "Não se trata de uma pré-campanha. O momento da campanha é em 2014. O que estamos propondo é um grande movimento de discussão da realidade do Maranhão, com muitas lideranças, comunidades de todas as regiões do estado. Esse debate vai gerar um arco de propostas, que vai se traduzir numa alternativa eleitoral no ano que vem. Os partidos devem ser instituições permanentes, e não funcionar somente em tempo de eleição. É isso que estamos fazendo, com grande sucesso", declarou.

De olho ainda na aliança com a deputada Eliziane Gama (PPS), Flávio diz que o movimento da deputada é legítimo, mas ainda prega a união de todas as correntes contrárias ao grupo Sarney. "Acho positivo todo movimento politico no âmbito da oposição. Mas a minha convicção, com muito respeito, é que juntos seremos mais fortes. Com serenidade e calma, vou buscar essa união ampla para darmos aos maranhenses o futuro que eles merecem e podem ter", frisou.

A deputada Eliziane Gama (PPS) foi a primeira a se movimentar para que o seu nome se torne conhecido em todo o Estado. Com a proposta que intitulou de Via Alternativa e Popular, a presidente do PPS já percorreu vários municípios levando sua proposta e se tornando mais conhecida fora da capital, seu principal reduto eleitoral. A Via Alternativa esteve em Santa Inês neste final de semana. "A aceitação está muito grande e isto mostra que há aceitação da população para debater um outro projeto para o Maranhão e o PPS capitania este debate", afirmou a deputada.

Por conta da semana Santa não haverá encontro da VAP no próximo final de semana. Mas no seguinte o destino será Rosário, aproveitando o debate sobre a Refinaria Premium.
Questionada sobre a grande antecedência do debate eleitoral, Eliziane considera que é necessário discutir política fora do período eleitoral, até para envolver a maior parcela da população. "Acho que é até muito importante o debate mais cedo. Não podemos simplesmente em três meses de campanha fazer a apresentação da proposta. A proposta tem que ser construída pelo povo. A população não pode ser envolvida apenas no ano da eleição, mas participar todo o tempo. Este é o sentimento que nós temos. Defendemos a participação popular permanente no processo político".

Sobre o movimento do grupo de Flávio Dino, Eliziane considera válido para que o outro pré-candidato também possa ouvir os reclames da sociedade na construção de seu plano de governo. "Nós começamos antes a movimentação. Não conheço o Movimento Diálogos pelo Maranhão e qual a sua estratégia, mas acho que tudo que e feito para que a população possa se manifestar é salutar para o estado. Este é o grande cerne do debate eleitoral: ouvir a cidade", lembrou.

O pré-candidato Hilton Gonçalo (PDT) se apresentou junto com Eliziane como parte do movimento da Via Alternativa. Ele tem feito movimentos bem menos midiáticos do que os outros nomes que concorrem, mas se movimenta para uma viabilidade. Hilton recebeu o convite do PRP e do PP para se filiar e concorrer ao governo por uma das legendas, mas ainda não se definiu. Como o PDT faz parte da aliança com Flávio Dino, dificilmente seu atual partido o dará legenda para concorrer. Em relação ao seu movimento, ele comenta: "estaremos disputando a eleição majoritária no próximo ano e talvez até agora, eu seja o único pré-candidato com propostas de governo e que nas pesquisas feitas para termos ideia do cenário atual em todos os municípios que temos atuação política estamos vencendo, isso ocorre em Bacabeira, Santa Rita, Rosário, Pastos Bons, Nova York etc, significa que conhecem o nosso trabalho e a tem tendência é a população vir conosco", destaca.

Apesar da indefinição sobre o seu destino partidário, Hilton já adianta que deseja unir o PDT, PMN, PP e PRP em torno de sua candidatura. "Hoje estou no PDT e gostaria muito de ser candidato pelo partido, mas já recebi convites do PP e PRP, até setembro tomo uma decisão, mas acredito que é possível formamos essa aliança", finaliza.

Movimento é legal

Para o advogado especialista em Direito Eleitoral, Rodrigo Lago, estas movimentações dos candidatos são legais. O que não é permitido neste período é fazer a campanha propriamente dita, mas a própria legislação diz que o candidato deve fazer um plano de governo, então, nada mais correto do que discutir com o eleitor este plano. "Fazer política é legal e até esperado. Só se faz plano de governo discutindo. O que não se pode ainda é fazer propaganda. Se apresentar como candidato. A lei permite que se faça este tipo de reunião para estabelecer o Plano de Governo. Não pode fazer adesivos, outdoor. Não pode enviar material para a casa do eleitor no qual diga que é candidato", analisou.

O advogado diz que o impedimento da propaganda eleitoral antecipada é justamente para evitar o abuso de poder econômico, já que assim o candidato com mais recursos, faria propaganda com tanta antecedência, que no período da campanha, o com menos recursos não poderia nem pleitear a candidatura. "No período pré-eleitoral não se pode divulgar a candidatura como certa. Pedir votos em evento público no período vedado foi justamente uma das razões que embasaram a cassação de Jackson Lago e também faz parte do processo contra Roseana", enfatizou.

Caso o evento seja fechado, direcionado a lideranças políticas e partidários, o pré-candidato pode expor a candidatura livremente.

Palavra do especialista

Essa precocidade de campanha se deu inicialmente no plano federal. A presidenta se lançou pré-candidata. Geralmente quem está no poder, espera para saber quem serão os adversários. Isso é reflexo do medo do PT de que partidos da base aliada tenha candidaturas próprias, principalmente o PSB, com Eduardo Campos. No plano estadual, a pré-campanha dos presidenciáveis força a pré-campanha por aqui. A campanha no Maranhão não está desvinculada da nacional. Mas aqui pré-campanha é ainda mais intensa por não se ter ainda um cenário palpável nem de quais serão os candidatos e quais serão os palanques para os candidatos a presidente. No Maranhão, oposição e governo são da base da presidente Dilma. A única candidatura definida, aliás, desde o final da última eleição, que é a do Flávio Dino, ainda está condicionada a qual palanque ele vai dar. O governo ainda está definindo seu candidato. A Eliziane Gama aproveita o bom resultado da eleição municipal de São Luís para se lançar. Mas passando do Estreito dos Mosquitos a situação é complicada, pois no Maranhão, mais que os partidos, existem famílias que controlam a política local. Se ela tiver poder de barganha e estratégia com estas famílias, tem uma boa estratégia para tornar seu nome conhecido. 

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