sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Parecer pela cassação de Roseana tem ampla repercussão na classe política

   Rubens Pereira Junior afirma que Roseana só venceu a eleição por conta da corrupção eleitoral, já Hélio Soares defendeu a governadora e disse que o eleitor não é corrupto
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Teve forte repercussão no plenário do Poder Legislativo, ontem, o parecer do procurador geral da República, Roberto Gurgel, favorável à cassação da governadora Roseana Sarney e do vice Washington Luiz Oliveira, por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2010.
Os deputados Rubens Pereira Júnior, Marcelo Tavares, Othelino Neto e Bira do Pindaré observaram que, embora tenha levado um ano para se manifestar no processo, o procurador produziu um parecer bem feito.
Os deputados Hélio Soares e Magno Bacelar, da base aliada, defenderam Roseana da acusação de compra de voto.

O líder do bloco oposicionista, Rubens Júnior, um dos advogados que assinam a peça de acusação, disse que Roberto Gurgel reconheceu os abusos de poder político e econômicos praticados nas eleições de 2010. Segundo ele, “a governadora só se elegeu porque derramou dinheiro público, através dos convênios, para cooptar lideranças políticas não com o objetivo de desenvolvimento administrativo, mas sim com o objetivo único e exclusivo de cooptação eleitoral”.
Rubens Júnior lembrou que em junho de 2010, véspera do período das convenções, Roseana assinou mais de 900 convênios eleitoreiros. “Só nos três dias que antecederam a convenção, que foi no dia 24 de junho, só nos três dias foram liberados mais de R$ 400 milhões. O convênio era assinado de manhã e à tarde o dinheiro já estava na conta, porque se não assinasse os convênios os prefeitos não iriam para a convenção partidária”.
No entendimento do deputado Othelino Neto, “o parecer do procurador deixa claro que os convênios foram utilizados para cooptação de aliados, cooptação de prefeitos, inclusive cooptação de prefeitos de partidos de oposição para que apoiassem a candidatura da governadora Roseana Sarney”. Othelino Neto afirmou que Roseana “está provando do próprio veneno”, numa referência ao engajamento do grupo Sarney pela cassação do ex-governador Jackson Lago, em 2009. “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”, acrescentou.
Num discurso inflamado e carregado de emoção, Bira do Pindaré disse acreditar que a cassação é inevitável. Segundo o petista, “o parecer demorou, mas chegou”. O parlamentar, no entanto, criticou a demora do procurador em se manifestar e devolver o processo para o TSE, mas elogiou o relatório.

(Jornal pequeno)



Marcelo Tavares, sobrinho do ex-governador José Reinaldo, disse acreditar que o parecer da PGR traz uma esperança de que as eleições de 2014 possam transcorrer de forma limpa, transparente e sem abuso de poder econômico.
Para os quatro parlamentares da oposição, o fato do procurador ter acatado todas as denúncias demonstra que a eleição foi viciada e teve seu resultado comprometido pela compra de voto. Eles ressaltaram, ainda, que a decisão do Ministério Público Federal faz justiça ao ex-governador Jackson Lago, que, segundo afirmaram, foi cassado de forma arbitrária pelo TSE, em 2009.
Antes de encerrar seu pronunciamento, Tavares ainda fez uma advertência à governadora: “Todos nós temos que esperar esse julgamento. Mas posso dizer aqui que a governadora Roseana Sarney terá muito mais dificuldades para administrar o Estado, tendo sobre a sua cabeça a espada da Justiça”.
Reação – O contraponto do debate foi feito pelos deputados do bloco governista Hélio Soares e Magno Bacelar. Eles defenderam a governadora, negaram a existência de corrupção eleitoral e acrescentaram que os convênios foram assinados dentro do prazo legal.
Para o deputado Hélio Soares, “dizer que uma pessoa se elege com a compra de votos é chamar também o eleitor de corrupto”. “A corrupção, pode-se dizer, há em todo lugar, mas dizer que uma pessoa se elege a primeira vez, segunda e terceira e a quarta, dizendo que é corrupção de compra de votos, é chamar o eleitor de burro, é chamar o eleitor de corrupto, e nós não aceitamos isso, de maneira nenhuma. Eu não acredito que tenha algum eleitor que vá se vender por uma troca de um favor ou a troco de dinheiro, isso não existe”, observou.
O vice-líder Magno Bacelar acrescentou: “Temos conhecimento de que o Governo do Estado fez todos os convênios de uma maneira legítima, dentro do prazo legal, pode ter sido até no último dia, mas foi feito dentro do prazo legal. Então, fica uma questão muito subjetiva, e o procurador da República está analisando a questão subjetivamente. Agora, quando forem analisados corretamente os fatos, vão ver que é totalmente diferente da maneira como aconteceu no passado quando os convênios foram feitos fora dos prazos”.

 (Jornal pequeno)

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