segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Fragilidade de rivais e alta na popularidade indicam cenário favorável para reeleição de Dilma

Para cientista política, possíveis adversários ainda não se mostram fortes para 2014
                                         
   
As manifestações realizadas durante o mês de junho em diversas capitais do País fizeram a aprovação da presidente Dilma Rousseff retroceder. Mas uma mudança neste cenário — ela recuperou parte da aprovação, conforme informou pesquisa Ibope/Estado no último dia 23, com a taxa de ótimo/bom do governo subindo de 31% para 38% desde 12 de julho — pode estar sendo sustentada por sinais positivos da economia (crescimento do PIB acima do esperado e reação do real diante do dólar) e pela fragilidade da concorrência já tendo as eleições de 2014 como norte.

Na avaliação da professora Vera Chaia, do departamento de política da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), a leve retomada na popularidade do governo da presidente pode representar um indício de que Dilma começa a dar passos mais firmes para uma possível reeleição.
Até o início das manifestações, Dilma sustentava o patamar de 63% de ótimo e bom. Com as ruas tomadas por movimentos sociais, a queda chegou a 31%. Além do Ibope, dados do Datafolha apresentados no último dia 10 também registraram elevação na popularidade, de 30% para 36%. A pesquisa foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo.

— Primeiro porque as manifestações deram uma amainada. Segundo, pelas próprias brigas internas do PSDB, com o Serra se fortificando e forçando uma convenção, uma escolha dentro do partido entre o [senador] Aécio [Neves] e ele.

Outro aspecto favorável para a presidente, analisa Vera, é uma quase inviabilidade do surgimento de uma candidatura alternativa, representada por Marina Silva. A dificuldade em angariar assinaturas e registrar seu partido dentro do prazo legal pode representar um empecilho à candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente.

A professora não vê em Eduardo Campos (PSB) alguém com expressão suficiente para ameaçar uma possível reeleição de Dilma. Para Vera, a candidatura do governador de Pernambuco ainda não se "viabilizou".

— Eduardo Campos é um candidato que ainda não se viabilizou e acho difícil que se viabilize para essas eleições, por conta de um desconhecimento dele [por parte do eleitor], por uma ligação com o PT em vários momentos do PSB.

Mesmo a provável candidatura do senador tucano Aécio Neves não representa, na visão da especialista, pelo menos neste momento uma possível ameaça a um cenário positivo para Dilma. Vera cita problemas históricos de candidaturas do partido e a muitas vezes perceptível ausência de apoio aos nomes escolhidos pela legenda.

— [Aécio Neves] não tem força por problema partidário. O PSDB nunca deu força ao seu próprio candidato, desde 2002, quando o [José] Serra foi candidato contra o [ex-presidente] Lula. O Serra se afastou do partido, do presidente Fernando Henrique Cardoso, negando continuidade. Em 2006 o [governador Geraldo] Alckmin ficou praticamente isolado por conta da rejeição dos serristas e de erros de estratégica políticas de campanha.

E embora entenda ser cedo para mais avaliações, Vera lembrou ainda que o conservadorismo representado pela candidatura de Serra fez com que setores ligados ao PSDB migrassem para a candidatura do prefeito eleito Fernando Haddad (PT).


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