sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Um mês após chacina, polícia aguarda estudo que deve apontar transtorno de Marcelo

          Psiquiatra forense diz ter avançado em pesquisa, mas evita falar em prazo de conclusão                  
                  
O que teria levado Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, de 13 anos, a matar os pais, um casal de policiais militares, além de duas familiares há um mês, na casa da família, na zona norte de São Paulo? Essa é a última pergunta ainda sem resposta na investigação conduzida pelos policiais do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) que, desde o início, aponta o jovem como autor da chacina. O perfil psicológico deve apontar o motivo.

O trabalho, conduzido pelo psiquiatra forense Guido Palomba, ainda não tem prazo para ser concluído. Contudo, em entrevista ao R7, o profissional garantiu que conseguirá mostrar as razões pelas quais o adolescente teria matado o pai, Luís Marcelo Pesseghini, de 40 anos, sargento da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), a mãe, a cabo do 18º Batalhão da PM, Andréia Regina Bovo Pesseghini, de 35, a avó, Benedita Oliveira Bovo, de 65, e a tia-avó Bernadete Oliveira da Silva, de 55.

 — Estou relativamente avançado na minha pesquisa, que é mais ou menos assim: é um trabalho de garimpagem de dados clínicos. É como se fosse um quebra-cabeça em que vamos recolhendo as peças, a gente vai encaixando umas nas outras e formando uma imagem. E ela é a motivação. Te diria que é rico [o estudo]. Existe uma riqueza de detalhes, por isso acho que vai dar para responder essa perguntar [o que motivou o crime].

                                         

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Segundo suas pesquisas, Guido Palomba diz já ter identificado um transtorno mental que vai explicar o que fez Marcelo Pesseghini matar a família e, horas depois, se suicidar ao lado dos corpos dos pais. O psiquiatra afirma ter em mãos informações suficientes para, em sua conclusão, apontar toda a dinâmica — desde a manifestação até o resultado final — do transtorno que acometeu o filho dos PMs entre os dias 4 e 5 de agosto.

— Eu só trabalho para desvendar o que passou na cabeça dele porque eu sei que ele fez isso, senão seria a hipótese da hipótese. Pra mim, é um assunto superado se ele praticou ou não. Ele praticou sim o delito. Eu vou chegar à conclusão de que ele praticou por conta disso, daquilo e daquilo outro, mas não adianta só eu estar convencido, eu tenho que demonstrar para polícia e para as pessoas, dando uma explicação.

Comparação com comportamentos, não com crimes

Palomba explica que um dos caminhos para traçar o perfil psicológico de Marcelo Pesseghini passa pelo comparativo com comportamentos de casos da medicina forense já relatados anteriormente dentro e fora do Brasil. Entretanto, ele diz que a chacina da Brasilândia não permite comparações com outros crimes cometidos por adolescentes ou envolvendo pais mortos por filhos.

— Cada crime é um crime, com suas circunstâncias e suas peculiaridades. Agora, a grosso modo, cada patologia tem uma forma de se manifestar em uma pessoa, e essa forma de se manifestar leva a pessoa a cometer crimes de determinado tipo. Não são todos iguais. É um padrão de comportamento, digamos assim. Por exemplo, se a pessoa tem uma doença, tem um determinado padrão de comportamento, se tem outra doença é outro padrão. Então, no caso dele, tudo se encaixa dentro de uma determinada doença e de um padrão de comportamento.

O psiquiatra forense completa:

— O padrão de comportamento no caso dele é harmônico, com essa anormalidade que eu vou descrever, vou dizer os motivos, como aconteceu e a razão para ter acontecido.

Responsabilidade perante a opinião pública

 Sem sustentação com base nas mais de cem páginas de laudos da perícia e nos 48 depoimentos feitos pelos policiais do DHPP, o motivo para a chacina é a pergunta que ainda intriga aqueles que não acreditam que um menino de 13 anos pudesse ser o único protagonista de um crime tão bárbaro. Palomba sabe disso e promete entregar à polícia um trabalho com embasamento suficiente para se sustentar, respondendo à última pergunta ainda em aberto.

— Não posso decepcionar. Estou fazendo força, dando o melhor de mim. Também tenho um interesse intelectual sobre isso, é uma motivação profissional, a vida inteira quis isso, me sinto honrado com o convite e espero não decepcionar.

O profissional ainda evita falar em prazos, prometendo entregar “em breve” o seu estudo ao delegado Itagiba Vieira Franco, o primeiro a convidá-lo para participar no caso. Palomba também não entra em atrito com a posição da família das vítimas, que se nega a acreditar nas informações que apontam Marcelo como o autor do crime.

 — Respeito a opinião da família. Acho que é um momento de dor. Pretendo, no meu trabalho, explicar por que [ele cometeu o crime]. Acho que, enfim, são familiares, eles têm os seus motivos para pensar como estão pensando. Fica o meu respeito. É uma tragédia, mas pretendo no meu trabalho, em um dos tópicos, explicar essa aparente contradição entre normalidade do dia a dia e a anormalidade do dia dos fatos. É uma pergunta que está sendo recorrente para todos.



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