segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Laços de família

O Paraná vai ajudar o Maranhão a controlar o inferno carcerário de Pedrinhas. Ou seja, o roto vai dar a mão ao esfarrapado. Não é de agora que a Capitania Hereditária da família Sarney pede ajuda aos paranaenses.
 Por Dante Mendonça  (Cronista e cartunista, membro da Academia Paranaense de Letras)
                
Além dos laços prisionais, os laços de família do Maranhão com o Paraná estão num dos capítulos da biografia do ex-governador Paulo Pimentel, escrita pelo jornalista Hugo Sant´Ana. No episódio que mudaria a árvore genealógica da nobreza de São Luiz do Maranhão, os personagens principais foram o patriarca José Sarney e o falecido João de Mattos Leão, que em 1970 também tinha um belo latifúndio no Maranhão.
Nessa época, a filha mais velha de José Sarney, Roseana Sarney casou-se com Jorge Murad e algum tempo depois recebeu o diagnóstico de que era estéril. Tanto ela quanto os avós queriam muito uma criança e decidiram recorrer à adoção – relata Hugo Sant´Ana. Aí entra em cena o amigo Mattos Leão, que passa a procurar uma menina em Curitiba e na região de Guarapuava, sua terra. Como os trâmites para adoção são geralmente complicados, o senador Mattos Leão, em nome da boa causa, apelou para o governador do Paraná. Prontamente, Paulo Pimentel colocou em campo os andares superiores do Palácio Iguaçu com a missão de encontrar a filha que Roseana adotaria.
A Casa Civil não precisou ir longe. No Hospital Nossa Senhora das Graças, que naquele tempo mantinha um programa de adoções em Curitiba, uma garota aguardava para ser adotada, fora da lista de espera. Graças, é claro, aos préstimos do governador e de um senador. Alguns dias depois, José Sarney, a esposa Marly e a filha Roseana com o marido vieram buscar a encantadora garotinha que se chamaria Rafaela.
Já na adolescência a mais nova herdeira daquele feudo seria devidamente informada da sua condição de princesa adotiva. Mãe de Fernanda e Rafael, a paranaense Rafaela proporcionou a Sarney e Dona Marly um dos mais importantes dos títulos da nobiliarquia maranhense: bisavós. Mas tendo em vista a imortalidade do patriarca, ainda é possível que vejamos o tataravô mandando e desmandando na corte de Brasília.

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