segunda-feira, 17 de março de 2014

De mendigo a poeta: a incrível história do morador de rua que reencontrou a família após 51 anos graças à força de suas poesias

                                UNIBAN 
 A página de Raimundo já conta com mais de 40 mil likes e é um grande sucesso                         nas redes sociais.            
                                    
Em uma cidade grande e movimentada como São Paulo, não são poucas as histórias de vida que se cruzam a todo o tempo. Parado em uma esquina qualquer da cidade, sentado em um banco de uma praça ou perambulando pelas ruas que acompanham o passar infinito de carros, estava Raimundo. 

                          
Um senhor barbudo, com roupas de plástico e aparência rude que, surpreendentemente, escrevia algumas das mais doces poesias da capital paulista. Mais do que um mendigo, Raimundo era poeta e, graças ao poder da internet, pode-se dizer que ele também é um homem de sorte.

O sonho de estudar em São Paulo se transformou em um cantinho de lona no meio da praça Há mais de 50 anos, um jovem sonhador saiu da terra natal com um objetivo e alguns sonhos em mente: Raimundo Arruda Sobrinho, então com 23 anos de idade, deixou a Tocantins de sua família para estudar na capital do estado de São Paulo. Devido às várias dificuldades financeiras, Raimundo foi jardineiro e vendedor de livros para conseguir se sustentar quando, em 1979, sem opções, viu a rua como o único local em que poderia morar. Ele, então, adotou o canteiro central da avenida Pedroso de Morais, no bairro de Pinheiros e, no mesmo lugar, viveu por 19 anos entre seus textos e poesias. Vestido com sacos pretos de lixo (porque ouviu dizer que a roupa normal de tecido cria fungos e bactérias e o deixaria com mau cheiro), Raimundo cultivava cabelos compridos e uma longa barba que lhe serviam como uma espécie de travesseiro. Ele dormia sobre outros sacos plásticos e lonas que artesanalmente foi costurando até formar uma espécie de “cabaninha” e passava boa parte do tempo sentado em um banquinho de madeira com alguns escritos nas mãos.
                       




Uma simples conversa foi o grande passo para a mudança Após anos no mesmo lugar, invisível aos olhos indiferentes dos que passavam por ali, Raimundo teve uma surpresa. Uma jovem chamada Shalla Monteiro decidiu olhar o morador de outro modo e parou para conversar com ele. Foi a partir daquele momento que o Raimundo da praça deixou de ser mendigo para se revelar poeta. Após algumas conversas com o senhor, Shalla descobriu que o velhinho sujo que morava na praça era culto, conhecia literatura e música clássica. Ele falava com maestria das centenas de livros que havia lido e ainda gostava de distribuir alguns poemas que havia escrito para quem passasse por ele. Instigantes e reflexivas, as “mini-páginas” que Raimundo assinava possuíam data de nascimento, número de série e uma assinatura que dizia “O Condicionado”.
A página no Facebook se tornou um sucesso e chegou até a família de Raimundo Ain
da impressionada com a inteligência e sensibilidade que se escondiam por baixo da sujeira e abandono de Raimundo, Shalla decidiu criar uma identidade para ele, após ganhar um de seus poemas. A moça criou, então, uma fanpage para o poeta no Facebook onde suas cartas e poesias eram postadas e compartilhadas com outras pessoas. Os poemas de Raimundo, a essa altura, já eram famosos pelo bairro. O que aconteceu, cerca de três semanas depois, foi surpreendente: as poesias de Raimundo não apenas repercutiram e alcançaram grandes proporções, como também chegaram à família que ele não via há mais de três décadas. Francisco Arruda entrou em contato com Shalla por meio da página no Facebook e confirmou, após anos de procura, o que já suspeitava desde que vira aquele endereço na internet pela primeira vez: Raimundo era o irmão que ele tanto procurou.
Abra os olhos para os Raimundos ao seu redor A história impressionante de Raimundo não apenas abre os olhos para os poderes e benefícios incríveis que a internet pode fornecer, como também atenta sobre a necessidade de comunicação e sensibilidade das pessoas para com o próximo. Afinal, não é preciso ir até o outro lado do mundo para fazer o bem: a solidariedade e a ternura podem ser exercidos no dia a dia, a caminho do trabalho ou até mesmo naquela praça movimentada que fica na esquina da sua casa e abriga um senhor de rua simples e calado - qu pe ser um outro Raimundo com alma de poeta perdido por aí.

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