segunda-feira, 10 de março de 2014

Mais uma vez o Maranhão é noticia nacional: Fantástico mostra situação precária de escolas públicas

O Programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu na noite deste domingo (09) matéria mostrando as péssimas condições de escola no município de Codó, no Maranhão. A reportagem abordou o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), divulgado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Maranhão apresentou o 2º pior desempenho entre os estados brasileiros.
A nota geral alcançada pelo Maranhão no Pisa foi de 357, só superior à de Alagoas – pior desempenho –, que teve 348.
Na cidade administrada por um prefeito aliado do grupo político da governadora Roseana Sarney, a escola de Codó apontada na reportagem não tinha piso, estava sem água, energia, sem merenda, não tinha cozinha e apresentava estrutura física precária.
A cena mais vexatória retratada pela Globo foi quando os alunos maranhenses tiveram que ir para o mato fazer necessidades fisiológicas devido à falta de banheiro na escola. Um retrato fiel do atraso da educação no Maranhão (apresenta os piores indicadores sociais do país), estado mais miserável e pobre da federação comandado pelo grupo Sarney há cinco décadas. Por ser praticamente o último em tudo, em matéria negativa o Maranhão está sempre presente.
“Tem aluno que até cai da carteira, principalmente os menores, da educação infantil”, disse uma moradora de Codó, no Maranhão. “Quando temos a necessidade de irmos para o banheiro, nós vamos para o mato. Os alunos e a professora”, afirma a mulher.
A escola municipal em Codó, no Maranhão, se chama Divina Providência e espera providências há muito tempo.
O Fantástico mostrou a situação de abandono.
Fantástico: Há quanto tempo essa escola está assim? Do jeito que está assim hoje.
Deusdet Oliveira Matos (comerciante): Está com mais de 15 anos.
O Deusdet é um comerciante que construiu a escola há 50 anos e, do jeito que pode, continua tomando conta dela.


Deusdet Oliveira Matos: Quando está gotejando, eu vou, tiro a goteira. Agora, esse ano eu ia fazer essa parede de tijolo, mas ainda não fiz.
Fantástico: O que leva o senhor a cuidar dessa escola?
Deusdet Oliveira Matos: O espírito de humanidade, para poder auxiliar os filhos dos moradores a não se criarem analfabeto.
Em Codó, no Maranhão, o André e o primo dele, o Eduardo, são vaqueiros de manhã. De tarde, caminham 35 minutos até a escola.
“O piso da escola não é adequado para o tipo de carteira, porque as carteiras, como é você pode ver, é um cano. Então, elas afundam no chão. E aí tem aluno que até cai. Aí chora, devido ao chão batido, que aqui não sabe se aqui é uma subida, ou ali é uma descida. É um desnível total. Porque aqui era uma casa de moradia. Era uma pessoa que morava aqui. Aí montou essa escola aqui para eles”, conta Rosa Maria Pereira Cunha, professora em Codó, no Maranhão.
Rosa Maria Pereira Cunha (professora em Codó, no Maranhão): Quando chove, fica escuro.
Fantástico: Não tem luz.
Rosa Maria Pereira Cunha: Tem não. Não tem luz.
Como beber água nessas condições? E como fazer a merenda?
“Para beber água, a gente pega água com a dona da terra. Pega uma garrafa de água e trago para cá, porque também está faltando filtro”, conta a professora Eliete de Araújo Lobes.
“Geralmente a merenda só aparece de maio a junho. Geralmente é nesse período que a merenda aparece”, diz uma funcionária de uma escola na cidade de Codó, no Maranhão.
Maranhão tem 2ª pior educação do Brasil
A avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) considerou o desempenho dos alunos em Matemática, Leitura e Ciências, disciplinas em que o Maranhão obteve notas 343, 369 e 359, respectivamente.
No comparativo com os 65 países avaliados, as notas do Maranhão só são maiores do que as do Quirguistão – último da lista –, que teve 331 em Matemática, 314 em Leitura e 330 em Ciências (média 325).
Aplicado em 65 países, o Pisa é um dos mais importantes testes internacionais para comparar o nível educacional das várias regiões do globo. A prova é aplicada a alunos na faixa dos 15 anos a cada triênio.

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