quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

'A perda de Ana Clara é uma ferida que jamais irá cicatrizar', diz mãe

G1 MA
Juliane Santos com a mãe, Filomena Santos, em Hospital de Brasília (Foto: Divulgação)
Juliane Santos, mãe de Ana Clara Sousa Santos, de 6 anos, foi entrevistada pelo jornal O Estado, e afirmou que a perda da própria filha em virtude do ataque criminoso em São Luís, no dia 3 do mês passado, "é uma ferida que jamais irá cicatrizar".  Apesar do apoio da família, Juliane Santos, ainda se diz "muito abalada" pela morte da filha e afirmou também que, apesar da perda, perdoa os acusados de planejar os atos criminosos na capital maranhense e que queimaram, dentre outros, o ônibus da linha Vila Sarney Filho, no qual ela estava.

Juliane Santos também informou que permanecerá em Brasília, por tempo indeterminado, dando continuidade ao tratamento a que está sendo submetida para a recuperação de cerca de 40% da pela queimada no dia do ataque em São Luís.

Após a operação da Tropa de Choque no Complexo Penitenciário de Pedrinhas no Maranhão, quatro ônibus foram incendiados e uma delegacia foi alvo de tiros em São Luís. Um dos ataques deixou cinco feridos; entre eles, duas crianças. A menina Ana Clara Santos Sousa, de 6 anos, morreu no Hospital Juvêncio Matos, após ter 95% do corpo queimado.
O Estado - Como você está atualmente? Pode-se dizer que você está superando a morte da sua filha?
Juliane Santos - Foi muito difícil saber que ela [Ana Clara] havia morrido. A ficha, para te falar a verdade, ainda não caiu. Penso nela a todo instante. É desumano aceitar que eu, naquele dia que estava apenas voltando para a minha casa com as minhas filhas, tenha sido vítima daquilo. O mundo está desumano. Ninguém acredita mais no valor das pessoas; só pensam o tempo todo em matar, em querer o mal alheio. Isso precisa mudar. Posso te dizer que nos últimos dias estou chorando um pouco menos a morte da Ana Clara, mas o que aconteceu comigo não desejo a ninguém. Posso te dizer ainda que a perda de Ana Clara é uma ferida em meu coração que jamais irá cicatrizar.
O Estado - Sei que é difícil te perguntar isso, mas o que você lembra do dia do incêndio ao coletivo?
Juliane - De pouca coisa. Foi tudo muito rápido. Assim que os bandidos entraram no ônibus e começaram a dizer para nós descermos, não tive outra reação a não ser sair com as minhas filhas daquele inferno. Mas não deu tempo, pois assim que estava na escada já descendo do coletivo, o fogo tomou conta de tudo. Me sinto triste pois não consegui impedir que a Ana Clara fosse atingida pelo fogo. Eu também fui incendiada. A Lorane também. Depois que eu desci do ônibus só me lembro que ao acordar no hospital perguntei por minhas filhas, para saber como elas estavam.

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